Logo que iniciei meus estudos em astrologia, fui apresentada à obra de Carl Gustav Jung, o renomado psiquiatra suíço que fundou a psicologia analítica. Suas ideias contribuíram para o desenvolvimento da astrologia com inclinação psicológica, uma vertente que ganhou força ao longo do século XX.
Durante muito tempo, a astrologia esteve associada principalmente à previsão de acontecimentos mundanos e à interpretação de destinos pessoais. A utilização do mapa natal para a melhor compreensão da personalidade e do desenvolvimento psíquico do indivíduo ganhou espaço e relevância a partir do surgimento e consolidação das abordagens psicológicas da astrologia.
Jung teve um papel importante no aprofundamento do diálogo entre astrologia e psicologia. Seu interesse pelas possíveis relações entre os símbolos astrológicos e a dinâmica psíquica contribuiu para ampliar a compreensão do mapa natal como instrumento de autoconhecimento, capaz de lançar luz sobre características pessoais, conflitos internos e possibilidades de desenvolvimento.
Nessa perspectiva, os símbolos astrológicos não são compreendidos apenas em sua relação com os acontecimentos externos, mas também como indicadores de dinâmicas da psique. A astrologia preditiva, contudo, não é abandonada, apenas passa a dividir cada vez mais espaço com a astrologia voltada para o universo psicológico e simbólico do indivíduo.
Em minha prática, posso dizer que, ao longo dos anos de estudo, meu interesse foi naturalmente se direcionando para o aprofundamento da leitura psicológica do mapa natal. Não que eu não ache a astrologia preditiva fascinante. Já tive inúmeros testemunhos, meus e de clientes, a respeito da sincronicidade entre os movimentos no céu em determinado momento e aquilo que estava se desenrolando em nossa vida pessoal.
Porém, enquanto intérprete do mapa astrológico de cada pessoa que se coloca diante de mim, meu olhar tende a se voltar para a investigação psicológica desse indivíduo, a fim de identificar seus conflitos internos e as possibilidades de transformação que seu mapa aponta. É dessa forma que acredito ser possível ajudar o consulente a ampliar a consciência sobre si mesmo e a tomar decisões mais alinhadas às suas necessidades, sempre considerando o que os trânsitos e direções daquele período indicam.
Por esse motivo e por perceber a profundidade necessária a esse trabalho, entendi que precisava ampliar meus conhecimentos no campo psicológico e decidi cursar a especialização em Psicologia Analítica – um passo importante que me levou a ampliar minha atuação profissional para a área terapêutica.
Foi a partir dessas duas vertentes de atuação que cheguei a uma terceira possibilidade: um atendimento astrológico continuado, de curto a médio prazo, em que a leitura do mapa natal é realizada sob uma abordagem terapêutica fundamentada na psicologia analítica junguiana. E é interessante observar que esse formato surgiu de maneira natural, a partir da própria demanda de alguns clientes que chegavam interessados em ter mais do que uma leitura pontual de seus mapas de nascimento.
Alguns deles estavam atravessando momentos delicados de suas vidas e buscavam na consulta um espaço também de escuta, para poderem se abrir, contar sua história, expor suas principais dificuldades. Em outros casos, a consulta astrológica provocou insights e questionamentos que levaram ao desejo de aprofundamento de áreas específicas da vida que foram abordadas, sobretudo quando a pessoa se percebe vivendo padrões repetitivos em alguma esfera da vida e sente que precisa compreender de onde isso vem ou se há caminhos de saída que a astrologia possa apontar.
O que eu acho particularmente rico nesse processo da Astroterapia é o fato de se tratar de um trabalho conjunto, em que o consulente tem a oportunidade de participar ativamente do aprofundamento nas diferentes camadas do próprio mapa.
“A diferença em relação a uma consulta astrológica convencional é que, na Astroterapia, o cliente tem mais tempo e espaço para se expressar em profundidade, podendo explorar com calma e continuidade os pontos do mapa que necessitam de maior atenção.”
As possibilidades são inúmeras ao se explorar um mapa astrológico de nascimento. Nele, não encontramos apenas os desafios, limitações ou tendências negativas do indivíduo, mas também conseguimos identificar os recursos internos que estão à disposição para a superação de dificuldades e para a experiência de uma vida mais satisfatória.
O objetivo é o mergulho no indivíduo, mas isso não significa que vamos nos ater apenas ao mapa natal. O processo da Astroterapia engloba também as técnicas preditivas de trânsitos e direções, pois são elas que nos auxiliam a situar o consulente no momento presente e abrem as perspectivas dos possíveis direcionamentos que a vida pode estar tomando.
Assim, conforme as sessões de Astroterapia avançam, é possível ir ganhando consciência a respeito dos assuntos que são trazidos para aprofundamento, por meio da compreensão das dinâmicas que estão por trás de determinados comportamentos, atitudes e escolhas. Ao mesmo tempo, a análise dos trânsitos e direções permite identificar oportunidades que se apresentam e o quanto o momento pode estar ou não favorável para promover determinados movimentos, arriscar novas possibilidades ou agir com maior cautela.
Gosto muito de uma afirmação do Howard Sasportas, em seu livro As doze casas, de que “a premissa filosófica sobre a qual a astrologia psicológica se baseia é a de que a realidade de uma pessoa brota de sua paisagem interior de pensamentos, sentimentos, expectativas e crenças.”
Penso que compreender, a partir do mapa natal, como se configuram as nossas formas de pensar, sentir, desejar e agir pode nos ajudar a entender a realidade que manifestamos e a jornada mítica pessoal que estamos vivendo.
Se você sente vontade de aprofundar esse olhar sobre si mesmo e conhecer melhor a proposta da Astroterapia, fique à vontade para entrar em contato pelos canais disponíveis nesta página. Será um prazer te acompanhar nessa jornada.

