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Os ciclos planetários como marcadores das crises de meia-idade

E o olhar da Psicologia Analítica Junguiana como chave para a sua compreensão

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anacarolastrologia29 de outubro de 20267 min de leitura
Os ciclos planetários como marcadores das crises de meia-idade

Existe um movimento profundo e desafiador que atravessa todos nós quando nos aproximamos da chamada “meia-idade”.

Ainda que hoje não haja um consenso sobre a faixa etária em que ela ocorre de fato, a astrologia nos oferece um referencial simbólico e também temporal para compreendê-la, pois diferentes ciclos planetários têm importantes pontos de inflexão que se manifestam por volta dos 40 anos de idade.

Fato é que, com algumas variações, esse período costuma se estender dos 37 aos 44 anos, quando atravessamos uma sequência de trânsitos astrológicos, que tendem a marcar profundamente nossas vidas.

Para quem não está familiarizado com os termos, explico:  um trânsito astrológico diz respeito à formação de um aspecto específico entre um planeta no céu em um dado momento e um planeta em sua posição natal. Já os ciclos planetários se configuram quando um planeta retorna à sua posição inicial, tendo dado uma volta completa no zodíaco.

O céu está sempre em movimento. No segundo seguinte ao nascimento de uma pessoa, os planetas vão seguindo seu passo. Ao longo dos meses e anos seguintes, começam a formar aspectos para os seus pontos originais, sendo os mais importantes os aspectos de quadratura (quando alcançam 90º e 270º em relação ao ponto original) e a oposição (quando o planeta alcança 180º em relação ao seu ponto original).

Portanto, todos os planetas considerados na astrologia realizam movimentos cíclicos, sendo o mais curto deles o da Lua, que tem em torno de 27 dias e meio, e o mais longo deles o de Plutão, que leva cerca de 250 anos para voltar ao mesmo ponto em que se encontrava originalmente.

Todos têm sua importância, mas nesta abordagem que trago, vamos tratar especificamente dos ciclos mais longos, percorridos pelos planetas mais lentos, cujos trânsitos costumam ser mais impactantes e tratam do amadurecimento e das grandes transformações de vida.

Assim, como marcadores da entrada na meia-idade, consideram-se principalmente os ciclos de Urano, Netuno e Plutão, além do planeta Saturno. Todos estes planetas levam tempo considerável para formar um aspecto com seu ponto de origem no mapa natal. O curioso é que há um momento em que esses trânsitos ocorrem de maneira concentrada, quase que ao mesmo tempo, justamente nesse período que marcaria a entrada nessa nova fase da vida, à qual a psicologia analítica associou a ideia de metanoia – um limiar que marca a passagem da primeira para a segunda metade da vida, implicando em possível mudança essencial de pensamento, valores e visão de mundo.

Quais seriam então os principais trânsitos que marcariam esse momento?

Para iniciar, temos a quadratura de Plutão para Plutão natal, que atualmente está ocorrendo para quem tem em torno de 40 anos de idade (essa faixa etária varia de acordo com a geração, pois Plutão tem uma órbita bastante irregular).

Muito perto disso, ocorre a quadratura de Netuno para Netuno natal.

Em seguida é a vez de Urano fazer oposição a Urano natal, o que ocorre em torno dos 42, 43 anos de idade.

Um pouco mais adiante, costuma ocorrer ainda a primeira oposição do segundo ciclo de Saturno (após o famoso primeiro retorno de Saturno, que se dá em torno dos 29 anos, temos o ápice do segundo ciclo nessa oposição, cerca de 14 anos e meio depois).

Ou seja, são vários eventos astrológicos relevantes ocorrendo em um curto intervalo de tempo na vida da pessoa. A maneira como isso impacta cada um vai depender do posicionamento original dos planetas em cada mapa natal, signos e casas que ocupam, além de outros aspectos que esses planetas estejam sofrendo concomitantemente. Seus desdobramentos, períodos de intensificação e de suavização dos trânsitos, só podem ser compreendidos a partir de uma análise feita de maneira individualizada, com calma e profundidade, por um astrólogo profissional.

Fica perceptível, portanto, que a famosa crise da meia-idade encontra seu referencial simbólico e seu marco temporal na astrologia, mesmo que a maior parte das pessoas ignore isso.

A questão é: com ou sem explicação astrológica, muitos de nós passaremos por esse incômodo período em que a vida parece nos cobrar um balanço a respeito do que conseguimos construir de fato até aqui (Saturno), ao mesmo tempo em que, de alguma forma, somos tomados por uma inquietação súbita, que nos faz querer romper com certos padrões que nós mesmos criamos, nos libertando de situações ou relações de maneira repentina (Urano).

Podemos ainda experienciar esse momento como uma travessia por um período nebuloso, em que despontam algumas desilusões e vemos ir por água abaixo expectativas que alimentamos em relação a nossos próprios planos, às pessoas e ao mundo em geral (Netuno), para ao final percebermos que muitas das concepções, pessoas e vínculos, que até então tínhamos como referência, não existem mais (Plutão).

Bom, não é difícil imaginar que passados esses anos, há grande chance de não restar muita coisa daquela pessoa que costumávamos ser. E a sensação de estar perdido, desconectado de certezas e seguranças (mesmo que ilusórias) que nos nortearam até ali, pode ser profundamente angustiante.

Sinceramente, não vejo outra forma de passar relativamente bem por tudo isso, que não seja estando comprometido com algum processo sério de autoconhecimento.

A perspectiva junguiana na compreensão dessa fase da vida

A crise da meia-idade é um convite ao reencontro consigo mesmo. Pela perspectiva junguiana, ela é também um chamado à introspecção, à inversão do olhar que esteve tão voltado para fora, para as necessidades externas e materiais da primeira metade da vida. Nessa nova fase, nos sentimos impelidos a encontrar sentido em tudo que foi construído até então e a recalcular rotas quando necessário.

Adentrar o entardecer da vida, como denominava Jung, requer coragem para encarar os aspectos sombrios que nos compõem e entender que precisamos integrá-los para seguirmos inteiros nessa jornada. Por isso, eu penso que a partir daí, fica muito difícil continuar sem um mínimo de consciência acerca de si mesmo. O piloto automático não é mais tão eficiente a partir desse ponto, porque não basta mais saber a direção para onde estamos indo: precisamos entender o porquê e o para quê de seguirmos nessa direção.

A astrologia e a psicologia junguiana foram as ferramentas pelas quais encontrei sentido e auxílio em minha própria travessia, que se iniciou alguns anos atrás. A primeira me ajudou a compreender a ordem maior que rege as grandes transformações de vida, trazendo clareza quanto aos momentos decisivos e às oportunidades diante de mim. A segunda me ajudou a organizar meu entendimento de todo o processo e a encontrar sentido nos rumos que a vida estava tomando.

Em um processo intenso, onde me tornei meu próprio campo de experiência (pois fui vivenciando na prática muito do que estava estudando), decidi seguir esse caminho também profissionalmente.

Hoje, como astróloga e terapeuta junguiana, eu diria que não há nada mais instigante e encantador do que acompanhar pessoas que também estão vivendo esse processo de profunda transformação, o qual muitas vezes vem acompanhado de término de relações, transições de carreira e ressignificações de diversos aspectos da vida.

Poder dispor desses preciosos recursos de autoconhecimento para quem precisa de apoio para atravessar sua crise pessoal é muito gratificante.

Um singelo convite

Se essa reflexão encontra ressonância no momento que você está vivendo, fico à disposição para auxiliar em seu processo. Você pode entrar em contato comigo ou agendar uma conversa por meio dos canais disponíveis nesta página. Ficarei feliz em poder ajudar!